O discípulo que queria ver

Devocional MannaCup Leitura de 5 min João 20:27-29

Em uma frase: Tomé exigiu tocar as marcas antes de crer, e Jesus voltou oito dias depois oferecendo exatamente isso. Em João 20:27-29 a dúvida não expulsa ninguém: Tomé continuou entre os discípulos enquanto duvidava, e foi ali dentro, não fora, que o encontro aconteceu.

Palavra1 min

“Depois disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente. E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu! Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.”

João 20:27-29

Reflexão3 min

Tomé não estava na sala quando os outros viram Jesus. Chegou depois, ouviu o relato de gente em quem confiava e não aceitou. Estabeleceu a condição dele com uma precisão quase agressiva: enquanto não puser o dedo nas marcas dos pregos, não creio. Oito dias depois Jesus aparece de novo, vai direto até ele e repete quase palavra por palavra a exigência que ele tinha feito. O pedido tinha sido ouvido inteiro.

Muita gente cresceu dentro disso e hoje está no lugar de Tomé sem ter escolhido estar. Você sabe as músicas de cor, sabe a hora de fechar os olhos, conhece o vocabulário todo. E em algum momento percebeu que aquilo era herança de família, um jeito de falar aprendido em casa, e que sozinho não se sustenta mais. Para continuar você precisaria de alguma coisa concreta, e admitir isso em voz alta parece traição.

Tomé passou oito dias duvidando dentro do grupo. Ninguém mandou ele resolver a questão lá fora.

Entre uma cena e outra passam-se oito dias. Oito dias em que Tomé continua junto dos outros sem ter resolvido nada, dizendo abertamente que não acreditava no que eles contaram. Ninguém o manda embora. Ninguém exige que ele acerte a fé primeiro e volte depois. O grupo segue se reunindo com um homem que duvida no meio dele, e é ali dentro, não do lado de fora, que o encontro acaba acontecendo.

A última frase costuma ser lida como repreensão, mas veja a ordem das coisas. Jesus primeiro estende as mãos e oferece o que foi pedido; só depois fala dos que creem sem ver. Chamar de bem-aventurados quem não teve acesso à evidência é uma frase dirigida a quem viria depois, não uma cobrança contra quem precisou dela. Tomé não é corrigido antes de ser atendido.

Se a fé que te deram em casa hoje não segura o seu peso, não é preciso fingir uma certeza que você não tem para continuar frequentando o lugar. Nem sair enquanto a pergunta não se resolve. Dá para fazer o que Tomé fez: dizer exatamente do que você precisaria, para alguém de confiança, e permanecer por perto enquanto isso não chega. Foi assim que ele estava lá quando aconteceu.

Oração1 min

Jesus, eu aprendi a falar de ti antes de decidir qualquer coisa sobre ti, e hoje isso não se sustenta mais sozinho. Não sei fingir uma certeza que não tenho e não quero mentir dentro de uma oração. Se for possível, me encontra aqui, do jeito que encontrou Tomé, sem me tirar da sala enquanto eu ainda pergunto. Eu fico. Amém.

Ore com calma · uma frase de cada vez

Intenção do dia30 seg

Hoje, diga a sua dúvida em voz alta para alguém de confiança ou escreva-a por inteiro, em vez de tratá-la como algo a esconder até passar.

Perguntas sobre fé e fé

Duvidar de Deus é pecado?

No relato de João 20, Jesus não trata a dúvida de Tomé como ofensa a ser punida: ele volta e oferece exatamente a prova que tinha sido pedida. Tomé permaneceu com os outros discípulos durante os oito dias em que duvidava. A dúvida ali aparece como etapa dentro do grupo, não como motivo de exclusão.

O que Jesus disse a Tomé?

Chamou-o para pôr o dedo nas marcas e a mão no lado, repetindo quase as mesmas palavras que Tomé tinha usado ao impor sua condição. Depois disse que ele creu porque viu, e chamou de bem-aventurados os que creriam sem ver. A frase vem logo após a evidência ser oferecida, não no lugar dela.

Como continuar na fé quando ela foi só herança de família?

Sem fingir uma certeza que não existe e sem sair de cena enquanto a pergunta não se resolve. Tomé ficou onde a dúvida podia ser dita, e foi ali que o encontro aconteceu. Dizer a pergunta em voz alta para alguém de confiança costuma ser mais útil do que carregá-la em silêncio por anos.