Os meus tempos estão nas tuas mãos
Em uma frase: Em Salmos 31:14-15, a confiança é declarada por alguém cercado, não por alguém tranquilo. Dizer que os meus tempos estão nas tuas mãos não é ter certeza do desfecho de uma cirurgia: é soltar aquilo que já não estava sob o seu controle de qualquer forma.
Palavra1 min
“Mas eu confiei em ti, Senhor; e disse: Tu és o meu Deus. Os meus tempos estão nas tuas mãos; livra-me das mãos dos meus inimigos e dos que me perseguem.”
Reflexão3 min
O jejum começa à meia-noite. A bolsa está pronta na cadeira, com o chinelo e a escova que você separou de tarde. O termo de consentimento foi assinado depois de alguém ler em voz alta uma lista de riscos que você não vai conseguir esquecer tão cedo. Não sobrou nada para resolver, e é exatamente por isso que você não está dormindo.
O Salmo 31 não é de alguém calmo. Davi escreve cercado, falando em armadilha e em gente esperando ele cair. O versículo começa com um mas: mas eu confiei em ti. Esse mas é a peça principal da frase. A confiança está sendo declarada contra alguma coisa, e não a partir de um lugar onde o medo já tinha ido embora.
Quem entra no centro cirúrgico amanhã reza, sem saber, a mesma frase que Jesus disse na cruz.
Os meus tempos, no plural. Não é só a hora da morte. São os trechos: o antes, o depois, a recuperação, o que vem quando a anestesia passar e a conta do corpo começar a chegar. Ele entrega o conjunto, não um instante isolado. E entregar não é a mesma coisa que saber como vai terminar. Davi não sabia, e disse a frase assim mesmo.
Alguns versículos antes, no mesmo salmo, está a frase nas tuas mãos encomendo o meu espírito. É a mesma que Jesus disse na cruz. Quem entra no centro cirúrgico amanhã reza, sem saber, uma oração que já foi rezada do pior lugar em que alguém já esteve. Não é oração de gente serena. É de gente entregando o que não consegue mais segurar sozinha.
O que ainda está na sua mão hoje é pequeno e vale: mandar a mensagem que você quer que a pessoa tenha ouvido, dizer onde estão os documentos e as senhas, avisar quem precisa ser avisado de manhã. Se o medo não deixar dormir, diga à enfermagem, isso é comum e existe o que fazer. A equipe que vai te operar já fez isso antes, e essa parte não é sua.
E se você é quem vai ficar do lado de fora: a espera do corredor também é vigília. Coma alguma coisa, combine revezamento com alguém, escolha uma única pessoa para dar notícia à família em vez de responder a todo mundo separadamente. Orar segurando um copo de café frio conta tanto quanto orar de joelhos em casa.
Oração1 min
Deus, amanhã eu não vou estar no comando de nada, e hoje eu já não estou. Tenho medo do que pode dar errado e não quero mentir para ti sobre isso. Nas tuas mãos eu ponho os meus tempos: esta noite, a cirurgia e o depois. Cuida das mãos de quem vai me operar. Guarda quem vai esperar no corredor. E dá-me o sono que eu não estou conseguindo pegar. Amém.
Ore com calma · uma frase de cada vez
Intenção do dia30 seg
Antes de dormir, mande uma mensagem só, para a pessoa que você quer que saiba o que você está sentindo. Depois deixe o telefone longe da cama.
Perguntas sobre saúde e fé
O que significa "os meus tempos estão nas tuas mãos" em Salmos 31:15?
É a entrega dos períodos inteiros da vida, e não apenas do momento da morte. Davi diz isso enquanto está cercado por perseguidores, ou seja, sem saber como aquilo terminaria. Entregar os tempos é reconhecer que o desfecho não está no seu controle, não é receber garantia de qual desfecho será.
Qual oração fazer na véspera de uma cirurgia?
Uma oração honesta cabe melhor do que uma corajosa. Diga o medo com o nome que ele tem, entregue a noite e o depois, e ore também pelas mãos da equipe que vai operar e por quem vai esperar do lado de fora. Se o medo estiver tirando o sono, avise a enfermagem, porque isso é comum e há como ajudar.
Qual versículo ler antes de uma cirurgia?
Salmos 31:14-15 é um dos mais usados nessa véspera porque foi escrito por alguém com medo, e não por alguém tranquilo. Salmos 4:8, sobre deitar e dormir em paz, ajuda na hora de apagar a luz. Nenhum dos dois promete o resultado da cirurgia, e é justamente isso que os torna utilizáveis.